A constitucionalização do direito ao clima para a promoção de justiça climática na Amazônia brasileira

Autores

DOI:

https://doi.org/10.18226/22370021.v15.n2.15

Palavras-chave:

Constitucionalismo Climático, Direito Constitucional Amazônico, Justiça Climática, Amazônia

Resumo

A pesquisa objetiva examinar como o constitucionalismo pode exercer uma função no enfrentamento dos efeitos nocivos das alterações do clima antrópicas. A Constituição brasileira apresenta a consagração do direito fundamental ao meio ambiente ecologicamente equilibrado como uma das técnicas de tutela ambiental, mas as condições para efetivação desse direito em relação ao clima são precárias, justificando a litigância para efetivação do direito. A presente pesquisa adota uma abordagem qualitativa, fundamentada em revisão bibliográfica e documental. Foram consultados artigos científicos, dissertações de mestrado e doutorado, decisões judiciais de tribunais nacionais e internacionais, propostas legislativas em tramitação no Congresso Nacional e relatórios técnicos do IPCC. Além disso, foram analisadas decisões paradigmáticas do Supremo Tribunal Federal (STF), como a ADPF 708/DF e o Caso Fundo Clima, bem como casos internacionais, como a decisão da Corte Interamericana de Direitos Humanos no Caso Comunidades Indígenas Miembros de la Asociación Lhaka Honhat. Esta abordagem permitiu identificar tendências emergentes na constitucionalização do direito ao clima e na governança climática global, com foco especial na Amazônia brasileira. Identificou-se um movimento para a construção de um direito constitucional a um clima estável por meio da judicialização climática, pela tendência da constitucionalização de compromissos nacionais, internacionais e transnacionais relacionados às mudanças climáticas. A preocupação com a proteção do meio ambiente e do clima estável alcançou status constitucional, num movimento global denominado constitucionalismo climático.

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Biografia do Autor

Tainá de Andrade Santos, Universidade Federal do Amazonas

Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Direito (PPGDir) da Universidade Federal do Amazonas. Área de Concentração em Constitucionalismo e Direitos na Amazônia. Integrante do Grupo de Pesquisa Direito da Proteção dos Vulneráveis e Sistema de Justiça (DPVeSJ). E-mail: tainaas99@hotmail.com. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/0717457918307371. ORCID: https://orcid.org/0009-0005-6176-3858.

Rafael da Silva Menezes, Universidade Federal do Amazonas

Pós-Doutorado em Democracia e Direitos Humanos na Universidade de Coimbra (IGC –Centro de Direitos Humanos). Doutor em Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG –Capes 6). Especialista em Direito Processual Civil pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Professor Adjunto da Faculdade de Direito da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), onde ministra a disciplina Direito Constitucional no Curso de Mestrado e as disciplinas Teoria Geral do Processo e Direito Processual Civil, nos cursos de Graduação e Especialização. E-mail: rafaelsmenezes@gmail.com. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/9067692701564707. ORCID: https://orcid.org/0000-0002-3910-243X.

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Publicado

03-02-2026

Como Citar

de Andrade Santos, T., & da Silva Menezes, R. (2026). A constitucionalização do direito ao clima para a promoção de justiça climática na Amazônia brasileira. Revista Direito Ambiental E Sociedade, 15(2), 1–13. https://doi.org/10.18226/22370021.v15.n2.15

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