Como os participantes de audiências públicas avaliam a participação popular no licenciamento ambiental do IBAMA?
DOI:
https://doi.org/10.18226/22370021.v15.n2.19Palavras-chave:
avaliação de impacto ambiental, Licenciamento ambiental, Democracia participativaResumo
a audiência pública é a metodologia de participação social comumente utilizada no licenciamento ambiental de atividades potencialmente poluidoras no Brasil e em diversos países. Como tal, seu intuito deve possibilitar a manifestação dos grupos diretamente afetados e/ou interessados nos empreendimentos propostos, garantindo o controle social na tomada de decisões pelo órgão licenciador. No entanto, há empecilhos que dificultam a inclusão dos anseios populares na análise da viabilidade socioambiental dos empreendimentos, conforme relatados na literatura, porém com diminutos estudos referentes à visão dos seus participantes. Neste sentido, compreende-se que a percepção daqueles que participam das audiências no licenciamento ambiental deve ser melhor ponderada na investigação dos problemas presentes, bem como no apontamento de sugestões para que as audiências sejam mecanismos mais efetivos de participação social, conforme proposto por este artigo. Para tanto, efetuou-se a análise do conteúdo relativo aos problemas e encaminhamentos relacionados às audiências públicas por seus participantes, identificados nas Atas de audiências públicas do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis, com enfoque em usinas hidrelétricas. Em termos de dificuldades enfrentadas pelos participantes, foram mencionados o curto intervalo entre a convocação e realização das audiências, as dificuldades de compreensão dos Relatórios de Impacto Ambiental e mesmo o pouco tempo para sua leitura; desconfianças para com o conteúdo do Estudo de Impacto Ambiental dos empreendimentos; a linguagem complexa empregada nas sessões, bem como a inflexibilidade em seu rito; desconfianças quanto à transparência na tomada de decisões e insatisfação para com as consultas aos povos originários afetados. Tendo em vista a necessidade de democratizar as audiências públicas, sugere-se que os representantes dos grupos sociais afetados atuem na composição das mesas condutoras das sessões, bem o órgão ambiental compreenda a importância das manifestações sociais nestes eventos, não os condicionando ao cumprimento de um rito meramente burocrático do licenciamento ambiental.
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