O transporte marítimo internacional no contraste entre estados desenvolvidos e em desenvolvimento e o princípio das responsabilidades comuns, porém diferenciadas e respectivas capacidades
DOI:
https://doi.org/10.18226/22370021.v16.n1.01Palavras-chave:
Transporte marítimo internacional, Mudanças climáticas, CBDR-RC, Estados desenvolvidos e em desenvolvimento, Direito InternacionalResumo
O transporte marítimo internacional desempenha papel central na economia global, ao mesmo tempo em que contribui significativamente para as emissões de gases de efeito estufa, inserindo-se no debate contemporâneo sobre mudanças climáticas. Nesse contexto, marcado por profundas assimetrias entre Estados desenvolvidos e em desenvolvimento, o problema de pesquisa que orienta este trabalho é: em que medida as assimetrias estruturais entre Estados desenvolvidos e em desenvolvimento influenciam a regulação das emissões de gases de efeito estufa no transporte marítimo internacional e em que medida o princípio das responsabilidades comuns, porém diferenciadas e respectivas capacidades (CBDR-RC) pode ser compatibilizado com o regime jurídico da Organização Marítima Internacional? O objetivo geral consiste em analisar a influência das desigualdades estruturais entre Estados desenvolvidos e em desenvolvimento na regulação das emissões de gases de efeito estufa no transporte marítimo internacional, avaliando a possibilidade de compatibilização do princípio das responsabilidades comuns, porém diferenciadas e respectivas capacidades (CBDR-RC) com o regime jurídico da Organização Marítima Internacional. Para tanto, definem-se dois objetivos específicos: (I) examinar as assimetrias econômicas, sociais e estruturais entre Estados desenvolvidos e em desenvolvimento, analisando seus impactos no comércio marítimo internacional e na distribuição das emissões de gases de efeito estufa; e (II) analisar o conflito e as possíveis formas de articulação entre o princípio das responsabilidades comuns, porém diferenciadas e respectivas capacidades (CBDR-RC) e os princípios da Organização Marítima Internacional, especialmente a não discriminação e a neutralidade da bandeira, no contexto da regulação das emissões no transporte marítimo internacional. Como conclusão, observa-se que, embora o princípio CBDR-RC represente um importante instrumento de justiça climática, sua aplicação ao transporte marítimo internacional enfrenta obstáculos jurídicos e institucionais significativos, evidenciando tensões entre regimes normativos distintos e a necessidade de construção de soluções mais integradas, equilibradas e eficazes no enfrentamento das mudanças climáticas.
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