Falar menos e fazer mais:
uma análise das cartas da presidência brasileira da COP 30 à luz da justiça climática e do papel do país na governança ambiental global
DOI:
https://doi.org/10.18226/22370021.v16.n1.09Palavras-chave:
COP 30, Brasil, justiça climática, governança ambiental global, racismo ambientalResumo
O presente artigo investiga as quatro primeiras cartas da presidência brasileira da COP 30 à luz do conceito de justiça climática e do papel do Brasil na governança ambiental global. Por meio de uma pesquisa teórica com abordagem qualitativa, baseada em análise documental e revisão bibliográfica, os autores tiveram como objetivo central verificar se as manifestações do governo brasileiro acerca da COP 30 expressam um compromisso real com a justiça climática ou se apenas rememoram o chamado “mito da liderança climática brasileira”, diagnosticado por Franchini e Viola (2019). A metodologia envolve o confronto entre os discursos das cartas e os referenciais teóricos sobre o papel do Brasil na governança ambiental global, racismo ambiental e (in)justiça climática. Os resultados indicam que, embora os documentos apresentem um discurso ambicioso e sensível ao reconhecimento das desigualdades estruturais e da importância da cooperação multilateral, há lacunas significativas entre retórica e prática, especialmente no que diz respeito à falta de políticas públicas interseccionais e ao baixo investimento em ações de caráter preventivo no combate à emergência climática, que revelam os desafios jurídicos enfrentados pelo país na consolidação de uma liderança climática genuína. Conclui-se que, sem desafiar as contradições estruturais internas, o Brasil corre o risco de desperdiçar a oportunidade histórica de transformar a COP 30 em um marco efetivo de justiça climática, perpetuando o mito que sempre o impediu de assumir um papel de protagonista no enfrentamento à crise climática.
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