A pluriversalidade como fundamental para o filosofar na formação e no ensino de filosofia
possibilidades dos quadrinhos
DOI:
https://doi.org/10.18226/21784612.v30.e025020Keywords:
Univocidade, Pluralidade, Filosofar, Descolonização, QuadrinhosAbstract
O paradigma hegemônico na Filosofia brasileira se ancora na leitura e escrita de textos como único método legítimo de expressar filosofias, embora na própria tradição filosófica ocidental seja possível encontrar diversas exceções à regra entre os grandes clássicos. Tal paradigma resulta na exclusão de filosofias que se apoiam em tradições orais ou que têm como cerne o gesto, a ação ou a expressão via desenhos, de modo que por invisibilizar a pluralidade de filosofias a univocidade do método nessa área de estudo se torna um problema. O objetivo desse artigo é estabelecer uma reflexão olhando para nossa própria concepção de filosofia, de modo que possamos investigar e dialogar com o problema: por que o texto é a única expressão da filosofia? Inicialmente será discutida a centralidade do texto na formação em Filosofia problematizando como a univocidade do método pode desincentivar o filosofar autoral. Em seguida, será analisada a relação entre a univocidade do método e a colonialidade, que está na raiz da exclusão de filosofias indígenas, africanas, afro-brasileiras, entre outras. O artigo partirá do paradigma pluriversal, que será apresentado no texto, compreendendo que o filosofar se enquadra na categoria de produções humanas verificáveis em todas as sociedades e culturas, de maneira que pode se expressar de múltiplos modos. A pesquisa tem como objetivo apontar a relevância de outras formas de expressão de filosofias para o filosofar autoral, tomando como um exemplo a utilização de quadrinhos, tanto no contexto da formação quanto do ensino de filosofia na educação básica, neste último caso através da apresentação do projeto de ensino de Filosofia em quadrinhos desenvolvido pelos autores deste artigo em uma escola da rede federal do Rio de Janeiro. Contudo, espera-se contribuir para a compreensão de que uma formação que reproduz a univocidade do método pode resultar em uma concepção tecnicista do filosofar que foca apenas na reprodução de filosofias canônicas. Dessa maneira, pretende-se contribuir para a descolonização do filosofar e o rompimento com a invisibilização da pluralidade filosófica que é inerente à realidade brasileira.
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