Percursos-sentidos na leitura do literário
Pena de ganso pela sociopoética literária
DOI:
https://doi.org/10.18226/21784612.v30.e025019Schlagworte:
PNLD literário, . Proposições estéticas e artísticas, Sociopoética literária, . Pena de Ganso.Abstract
Essa pesquisa tem como tema a mediação de leitura do literário de obras aprovadas pelo PNLD (Programa Nacional do Livro Didático) para o Ensino Médio e seu objetivo é explorar - pela proposição estética Percursos-sentidos - como se pode operar a leitura e mediação de obras literárias respeitando a função estética e artística da literatura. A obra explorada é Pena de ganso de autoria de Nilma Lacerda, aprovada no edital de 2021 (objeto 5). Nessa pesquisa estamos investigando como por meio da metodologia da Sociopoética literária o livro de literatura pode ser mediado adequadamente na sala de aula, respeitando sua função estética e artística. É uma pesquisa qualitativa e bibliográfica e fez uso do método da Sociopoética literária (Ozorio, 2025) para análise da obra. A fase de leitura e análise foi organizada a partir das forças da literatura que apontam para a potência estética e artística da obra (Fagundes, 2024), exploradas na proposição Percursos-sentidos. O aporte teórico básico que deu sustentação à pesquisa foi Barthes (1992; 2012; 2013; 2007), Neitzel; Ramos (2022); Fagundes (2024); Ozorio (2025), Gauthier (2012), entre outros. Como resultados, sinalizamos: a) a sociopoética literária exige um movimento de escrileitura do leitor, levando-o à reflexão sobre o texto; é uma metodologia que impulsiona o leitor a relacionar o texto lido com outros, um exercício que o leva a perceber o texto como um hipertexto; b) tendo em vista o caráter intertextual do método e a mobilização do sensível e do inteligível na leitura da obra, a experiência de leitura pode contribuir para educar esteticamente o leitor, quando o mediador considera o texto literário como objeto estético e artístico a ser apreciado como arte; c) esse método de leitura exige um mediador emancipador, no sentido atribuído por Rancière (2013), uma mediação que envolve a escuta do leitor, a oportunidade de diálogo e pesquisa sobre a obra, a ruminar sobre o texto entrelaçando teoria e prática, propondo desafios e estesias.
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