Governando pela emoção

curricularização das habilidades socioemocionais

Autores

DOI:

https://doi.org/10.18226/21784612.v31.e026018

Palavras-chave:

Competências socioemocionais, educação, Neoliberalismo

Resumo

Este artigo visa problematizar como a intensificação da produção discursiva sobre o desenvolvimento de habilidades socioemocionais mobiliza estratégias para a condução das condutas dos indivíduos e para o governo das emoções, promovendo transformações no que se entende por capital humano. Mais especificamente, dá-se atenção às orientações de organismos internacionais e como elas ressoam nas políticas curriculares brasileiras. A empiria relacionada aos organismos internacionais é composta por documentos publicados a partir de 2020, sendo dois disponíveis no site da UNESCO e outros três no site da OCDE. Em relação ao Brasil, analisa-se a inserção das habilidades socioemocionais na Base Nacional Comum Curricular, no Novo Ensino Médio e nas Orientações para a Estratégia Sociemocional Brasil na Escola, bem como indícios da influência do Instituto Ayrton Senna e sua conexão com as orientações das instituições internacionais. A partir de uma análise do discurso foucaultiana, pode-se afirmar que essas habilidades vêm sendo tomadas como centrais para o bom funcionamento da sociedade e para equipar os indivíduos com melhores condições de sobreviver no ambiente inseguro e hostil do neoliberalismo, tornando imprescindível o seu desenvolvimento para que estejam capacitados a enfrentar a crescente concorrência. Os docentes também devem desenvolvê-las para resistir às duras condições de trabalho. Em um segundo momento, o artigo mostra como as orientações desses organismos internacionais se atravessam nas políticas curriculares brasileiras, que passam a incorporar o imperativo de promover a aprendizagem socioemocional, focando na atuação do Instituto Ayrton Senna neste processo a partir de dados garimpados no Portal da Transparência do Governo Federal.

Biografia do Autor

KARLA SARAIVA, Universidade Estácio de Sá

Doutora em Educação pela UFRGS, professora do PPG em Educação da Universidade Estácio de Sá. Bolsista produtividade do CNPq e bolsista Cientista do Nosso Estado da FAPERJ. Pesquisa as relações entre neoliberalismo, neoconservadorismo e educação em uma perspectiva pós-estruturalista.

Dimitrius Machado, ULBRA

Doutor em Educação pela ULBRA, professor da rede municipal de educação de Canoas/RS. Pesquisa relações entre disciplina e escola no contexto do neoliberalismo.

Marília Blank, UFRGS

Doutora em Educação pela UFRGS, professora da rede estadual de educação do Rio Grande do Sul. Pesquisa relação entre tecnologias digitais e inovação educacional em uma perspectiva pós-estruturalista.

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Publicado

2026-10-08

Como Citar

SARAIVA, K., Machado, D., & Blank, M. (2026). Governando pela emoção: curricularização das habilidades socioemocionais. CONJECTURA: Filosofia E Educação, 31(1), e026018. https://doi.org/10.18226/21784612.v31.e026018

Edição

Seção

EDUCAÇÃO - Artigos