Didática crítico-hermenêutica

a historicidade das crianças e adolescentes no ensino de história

Autores

DOI:

https://doi.org/10.18226/21784612.v31.e026011

Palavras-chave:

Hermenêutica Filosófica, Direitos das Crianças e dos Adolescentes, Didática da História, Ensino de História, Historiador-docente

Resumo

Este artigo objetiva apresentar a filosofia de Hans-Georg Gadamer como fundamento da didática Crítico-Hermenêutica para o ensino de História, a qual sinaliza as bases da prática docente orientada pela relação entre a historicidade dos/as estudantes e as finalidades desse componente curricular diante da necessidade de proteção dos diretos das crianças e adolescentes. Nessa perspectiva, as atribuições que anteriormente não se configuravam como centrais ao ofício do historiador-docente[1] tornam-se hoje imprescindíveis para a garantia de processos efetivos de aprendizagem. Nesse panorama, os profissionais da educação, através da Lei n° 14.679/2023, são reconhecidos como agentes de cuidado e proteção, considerando que a inserção sistemática de temas referentes a tais direitos no currículo da educação básica constitui um elemento central que evidencia a necessidade de repensar as relações estabelecida entre docentes e estudantes no processo de ensino. Para o desenvolvimento deste estudo, adotou-se a metodologia de pesquisa bibliográfica de caráter exploratório e abordagem qualitativa fenomenológica, voltada à compreensão e à interpretação do fenômeno em análise. As bases teóricas que fundamentam a investigação articulam-se à hermenêutica filosófica de Hans-Georg Gadamer, tal como desenvolvida na obra Verdade e Método. Os resultados demonstram que a didática Crítico-Hermenêutica do ensino de História proporciona a superação de procedimentos de transmissão de conteúdos indiferentes ao contexto real, priorizando a problematização das relações sociais, culturais e políticas que atravessam a infância e a adolescência. Esse arcabouço reconhece que toda compreensão é condicionada por horizontes de sentido historicamente situados, na qual a vida dos/as estudantes aparece como um dinamismo que estrutura as finalidades do ensino. Conclui-se, portanto, que este estudo contribui para o enriquecimento da didática propondo o ensino hermenêutico de História e sinalizando que o século XXI demanda uma redefinição do papel do historiador-docente, no sentido de uma atuação ativa e crítica no contexto social.

 

 

[1] O historiador-docente é aquele que consegue em sua prática profissional aliar seus conhecimentos históricos, resultantes de suas pesquisas, à docência em história, com vistas a propiciar aos seus educandos um ambiente formativo voltado ao desenvolvimento de competências de análise, reflexão e crítica. Este é um conceito que nos ajuda a delimitar a função social do Historiador na atualidade (Matos, 2025).

Biografia do Autor

Silvânia de Jesus Pina, Universidade Federal Rural de Pernambuco

Doutoranda do Programa de Pós-graduação em História da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). Coordenadora e professora do curso de Pós-graduação em Neuropedagogia e Educação Inclusiva do Centro Universitário da Vitória de Santo Antão. É professora da Secretaria de Educação de Pernambuco.

Humberto da Silva Miranda, Universidade Federal Rural de Pernambuco

Doutor em História pela Universidade Federal de Pernambuco. Professor na Universidade Federal Rural de Pernambuco

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Publicado

2026-08-24

Como Citar

Pina, S. de J., & Miranda, H. da S. (2026). Didática crítico-hermenêutica: a historicidade das crianças e adolescentes no ensino de história. CONJECTURA: Filosofia E Educação, 31(1), e026011. https://doi.org/10.18226/21784612.v31.e026011

Edição

Seção

EDUCAÇÃO - Artigos