(Re)Anunciação de sentidos

metáfora e agência na abordagem de Reggio Emilia e no texto literário

Autores

DOI:

https://doi.org/10.18226/21784612.v30.e025011

Palavras-chave:

Abordagem de Reggio Emilia. Literatura. Metáfora. Experiência estética. Agência infantil.

Resumo

A Abordagem de Reggio Emilia defende que a criança cria teorias em seu cotidiano também a partir do espaço propositor (terceiro educador). O uso de materiais não estruturados, de materiais estruturados postos em novas funções e de imagens fomenta a agência infantil na exploração das semelhanças e na construção de novas representações. Este trabalho objetiva estabelecer relações entre a agência acionada na criança nos espaços reggianos, como os ateliês, que privilegiam a metáfora visual, com a agência gerada na relação com a metáfora verbal do texto literário, tomado aqui como objeto artístico e estético, privilegiando a discussão dos processos metafóricos na atribuição de sentidos, ponto crucial na Abordagem Reggiana. Esta pesquisa é pautada no método bibliográfico e fundamentada, principalmente, em Contini e Giuliani (2022), Eco (1991), Larrosa (2018), Manera (2022), Paz (2012), Schiller (2017), Sontag (2020), Urban (2013) e Vecchi (2017). Os materiais não estruturados, os materiais estruturados que em espaço propositor escapam da linearidade e a metáfora literária se avizinham ao funcionarem como aberturas ou entradas para um espaço criador, para a suspensão da representação habitual e da teoria habitual, já que a simbolização é também criação de teorias acerca do simbolizado. Assim, a experiência estética que aí vivencia, por meio do processo metafórico por ela acionado, oportuniza à criança estabelecer conexões entre o já posto e a novidade que cria, levando-a a renunciar à representação habitual para (re)anunciar a relação que estabelece com a coisa que veio ao seu encontro, seja na relação com os espaços reggianos, seja na relação com a metáfora palavreira. Dessa forma, defendemos que os espaços reggianos e o texto literário, assim como a arte de modo geral, são propositores de agência criativa e potência para esse movimento metafórico essencial para a produção de sentidos, para a educação estética e para a emancipação, e que, portanto, o espaço propositor reggiano, a literatura e a arte podem – e devem – estar no cotidiano escolar, muito especialmente da criança da escola de Educação Infantil. 

Biografia do Autor

Gesiele Reis

Pós-doutorado em andamento na Universidade do Vale do Itajaí (UNIVALI). Integrante do Grupo de Pesquisa “Cultura, Escola e Educação Criadora”. Doutorado Sanduíche pelo Programa de Doutorado Reggio Childhood Studies da Università degli Studi di Modena e Reggio Emilia (UNIMORE). Professora da Educação Infantil efetiva na Rede Pública Municipal de Itajaí, SC.

Luana Camila Hentchen, Universidade do Vale do Itajaí - UNIVALI

Integrante do Grupo de Pesquisa “Cultura, Escola e Educação Criadora”, pesquisa as relações entre literatura e educação estética. Professora na Educação Básica e na graduação da Universidade do Vale do Itajaí, SC.

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Publicado

2026-01-16

Como Citar

Reis, G., & Hentchen, L. C. (2026). (Re)Anunciação de sentidos: metáfora e agência na abordagem de Reggio Emilia e no texto literário. CONJECTURA: Filosofia E Educação, 30, e025011. https://doi.org/10.18226/21784612.v30.e025011

Edição

Seção

EDUCAÇÃO - Artigos