Território, corpo e memória nas letras de samba “Meu Lugar” e “Meu Nome é Favela”
Palavras-chave:
Samba, performance, Corpo, Território, MemóriaResumo
Este artigo analisa duas letras de samba como textos performativos que entrecruzam memória, corpo e território na construção de identidades e saberes periféricos. A partir da análise das canções “Meu Nome é Favela” e “Meu Lugar”, interpretadas por Arlindo Cruz, e da ancoragem nos estudos da performance (Zumthor; Schechner; Martins), propõe-se compreender o samba como ato de memória e resistência, no qual as ações cotidianas da favela e do bairro possuem essência política, pedagógica e ancestral. As letras, os corpos em movimento e os territórios evocados emergem como arquivos vivos, dispositivos pedagógicos e políticos que desestabilizam narrativas históricas lineares. O corpo, entendido como corpo-tela e corpo-pólis, atua como testemunho das violências e das potências que atravessam os espaços urbanos marginalizados, reafirmando o samba como território de invenção cultural, cura coletiva e afirmação identitária.