Servas na vida e aias na arte
entre O conto da Aia e o Brasil da extrema direita contemporânea
Palavras-chave:
Bakhtin Circle, Women, Power, Society, CultureResumo
Este artigo reflete sobre algumas relações de poder semiotizadas na série O conto da Aia (2017; 2018; 2019; 2021), em diálogo com uma declaração do ex-presidente da República Federativa do Brasil e o discurso da primeira-dama à época, na cerimônia de posse, com o objetivo de pensar sobre a relação arte (estética) e vida (ética). A reflexão está calcada nos postulados bakhtinianos da linguagem, mobilizados com procedimentos metodológicos verbivocovisuais em movimento dialético-dialógico. A relevância social do trabalho justifica o estudo realizado, especialmente em um momento histórico de ascensão da extrema-direita, com valorações conservadoras, religiosas, machistas e misóginas, em uma sociedade que explora, controla e extermina mulheres, como tem sido flagrado nos últimos anos no Brasil e no mundo. Os resultados revelam a necessidade de se pensar sobre e de se tratar a complexidade das relações nodais de gênero, classe e raça como elementos sociais de heterogeneidade e singularidade, e não como motivos de segregação em prol de um projeto de poder autoritário e misógino.