O pacto autobiográfico nos diários de Albert Camus:
a relação entre o autor, sua produção e o seu mundo (1935-1942)
Palavras-chave:
Autobiografia, diários, Albert CamusResumo
Este artigo analisa, por intermédio do pacto autobiográfico proposto por Philippe Lejeune, os diários de Albert Camus intitulados Esperança do mundo (1935-1937), A desmedida da medida (1937-1939) e A guerra começou, onde está a guerra? (1939-1942), a fim de compreender, como tema central da análise, a relação do autor, em meio aos seus escritos, com o seu mundo. Ao considerar a autobiografia um texto e um gênero literário a partir de Lejeune, tem-se as cadernetas como objeto de estudo, de pesquisa e de abrangência sobre a relação, durante sua vida, que o autor estabeleceu com a sua produção literária, assim como com a sua saúde. Camus trouxe ao leitor uma vida que permeia a natureza, a existência, o silêncio e a doença, uma vez que a reclusão, por conta da tuberculose, assolou constantemente o escritor. Quando Camus afirma que o sentimento em vida sugere ideia de transformação, tem-se um cotidiano em constante reconstrução, oferecendo novas possibilidades de estudo sobre a autobiografia. Por fim, o aporte teórico utilizado neste trabalho faz emergir o componente autobiográfico como um caminho para a criação estética, assim como de testemunho, posto que, para Camus, os cadernos eram um suporte ativo e de revisitação.