Mistérios e vozes africanas: a literatura policial em Rabhia de Lucílio Manjate
Resumo
O romance policial, nascido pelas obras do escritor estadunidense Edgar Allan Poe (1809-1049), ganhou reconhecimento a partir de autores europeus de grande renome, como Arthur Conan Doyle (1859-1930) e Agatha Christie (1890-1976); desde então, segue conquistando leitores pelo mundo todo. Entretanto, essas produções de modelo europeu não dão conta de representar outras realidades e subjetividades que não aquelas de nações colonizadoras. Assim sendo, o presente artigo debruça-se sobre a obra Rabhia, do autor moçambicano Lucílio Manjate, para investigar de que forma os elementos da história, da cultura e da subjetividade que constituem a moçambicanidade estão presentes na narrativa policial de Moçambique, rompendo assim com o modelo já conhecido do gênero e possibilitando um outro fazer literário que não silencia vozes negras e africanas, mas que transgride o padrão colonial para colocar o sujeito africano como centro de suas próprias produções e de sua forma de ser e fazer literatura. Para tal, faz uso dos estudos das novas epistemologias, bem como das investigações acerca da decolonialidade e da literatura pertencente ao gênero policial