Passos pequenos
infâncias migrantes na ficção literária
Palavras-chave:
Infâncias migrantes, Literatura infantil, Livros ilustrados, Refúgio, Imaginação literária, Estética e políticaResumo
Este artigo investiga o papel epistêmico da imaginação literária na produção de imagens plurais de crianças migrantes e refugiadas e na crítica a enquadramentos humanitários que tendem a retratá-las sob o signo da passividade e da tutela. A partir de uma fotografia do UNICEF e do poema Vietnã, de Wislawa Szymborska, discutem-se estratégias visuais e discursivas de silenciamento da infância em contextos de fuga, bem como possibilidades de ruptura desses enquadramentos. A reflexão propõe um diálogo interdisciplinar com a filosofia, os direitos humanos, a antropologia e a literatura, sendo enriquecida por dados de um projeto de extensão com estudantes venezuelanos no Rio de Janeiro. A mediação de leitura, nesse contexto, possibilitou a emergência de “arquivos miúdos”, narrativas fragmentárias, memórias e afetos, que escapam aos registros oficiais de refúgio e tensionam imagens hegemônicas da infância migrante. Esse material é posto em conexão com um corpus composto por três livros ilustrados: Eloísa e os bichos, A mala e Barco de histórias. Ao levantar hipóteses de leitura que privilegiam pontos de vista menores, sugere-se que a literatura para infâncias pode configurar uma contracena ética, capaz de interrogar a vitimização e reconhecer as crianças como sujeitos políticos desejantes e interlocutoras efetivas do mundo contemporâneo.